Estudos realizados no Brasil mostram que a atuação sindical pode melhorar salários, ampliar benefícios e proteger direitos. Mas também revelam que a capacidade de negociação e a forma de atuação de cada sindicato fazem diferença nos resultados.
Quando um sindicato conquista um reajuste salarial, participa da elaboração de um plano de carreira ou impede a retirada de um benefício, os resultados podem alcançar milhares de trabalhadores. Muitas vezes, inclusive aqueles que não são filiados à entidade.
Apesar disso, uma dúvida permanece entre trabalhadores e servidores públicos. Os sindicatos realmente conseguem melhorar as condições de trabalho ou seus resultados são menores do que se imagina?
Pesquisas realizadas por universidades brasileiras e estrangeiras, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) ajudam a responder essa pergunta.
Os resultados apontam uma conclusão importante. A representação sindical pode produzir benefícios econômicos concretos, mas a existência formal de um sindicato não garante, por si só, uma atuação eficiente.
Sindicatos realmente conseguem aumentar os salários?
Uma das pesquisas mais relevantes sobre o assunto foi publicada em 2025 por pesquisadores vinculados à Universidade de Princeton, à University College London, à Universidade Brown e à Sciences Po.
O estudo, intitulado What Do (Thousands of) Unions Do?, analisou informações do mercado de trabalho brasileiro para estimar os resultados salariais associados à atuação de mais de 4.800 sindicatos.
Os pesquisadores identificaram um ganho salarial médio estimado de aproximadamente 1,8% relacionado à representação sindical.
Entretanto, entre os 25% de sindicatos com melhores resultados, esse ganho médio alcançou 10,7%.
A diferença é significativa.
1,8% de ganho salarial médio estimado na pesquisa.
10,7% de ganho médio entre os sindicatos situados no grupo de maior desempenho.
Isso significa que os sindicatos mais efetivos apresentaram resultados salariais consideravelmente superiores à média observada.
Os pesquisadores também identificaram características frequentemente associadas a melhores resultados, como negociações coletivas específicas, mobilização dos trabalhadores, dirigentes mais qualificados e maior competição interna nas eleições sindicais.
Não significa que uma greve ou a substituição de uma diretoria produza automaticamente determinado aumento salarial. Os dados mostram associações entre essas características e melhores resultados, sem comprovar que cada uma delas, isoladamente, seja responsável pelo ganho.
Ainda assim, a conclusão é relevante.
Não basta ter um sindicato constituído. A qualidade da representação, a capacidade de organização e a atuação concreta da entidade influenciam seus resultados.
Leia a pesquisa publicada pelo NBER em 2025.
Trabalhadores sindicalizados ganham mais do que os não sindicalizados?
Outra pesquisa importante foi realizada pelo Ipea, em 2017, pelos pesquisadores André Gambier Campos e Ana Carolina Moura.
O estudo examinou dados de trabalhadores com emprego formal na iniciativa privada, considerando informações como escolaridade, idade, ocupação, jornada de trabalho, setor econômico e localização.
Em uma comparação inicial, os trabalhadores sindicalizados apresentavam remuneração média aproximadamente 33,5% superior à dos não sindicalizados.
Entretanto, parte dessa diferença poderia ser explicada pelas características dos próprios trabalhadores e das empresas.
Após aplicar controles estatísticos para considerar essas características, os pesquisadores identificaram um diferencial remuneratório de 8,4% associado à filiação sindical.
A pesquisa também encontrou maior acesso a benefícios entre os sindicalizados.
| Benefício | Sindicalizados | Não sindicalizados |
| Auxílio-alimentação | 63,9% | 49,3% |
| Auxílio-saúde | 36,0% | 20,3% |
| Auxílio-transporte | 54,4% | 49,1% |
Os resultados sugerem uma relação positiva entre sindicalização, melhores remunerações e acesso a benefícios.
É necessário, contudo, compreender o significado desses números.
O estudo demonstra uma associação estatística. Ele não comprova que um trabalhador passará a ganhar 8,4% a mais simplesmente porque decidiu se filiar ao sindicato.
Essa distinção também ajuda a interpretar outros levantamentos.
Dados divulgados a partir do Caderno de Negociação nº 97 do DIEESE, publicado em 2026, indicaram que, em 2024, a renda média dos trabalhadores sindicalizados era aproximadamente 55% superior à dos não sindicalizados.
No grupamento de administração pública, defesa e seguridade social, a diferença bruta alcançou aproximadamente 69%.
Esses percentuais não representam um aumento salarial causado pela filiação. As médias podem refletir diferenças de carreira, escolaridade, ocupação, jornada e tempo de serviço.
No serviço público, por exemplo, não seria correto afirmar que dois servidores ocupantes do mesmo cargo, submetidos à mesma tabela remuneratória, recebem salários diferentes apenas porque um deles pertence ao sindicato.
O dado mais importante é que a organização sindical aparece associada a condições econômicas mais favoráveis, embora a intensidade dessa relação varie conforme a pesquisa e o grupo analisado.
Consulte o estudo do Ipea sobre remuneração e sindicalização.
O benefício de um sindicato vai muito além do reajuste salarial
É comum avaliar a eficiência de um sindicato apenas pelo percentual de reajuste salarial conquistado.
Essa análise é incompleta.
Uma entidade sindical também pode atuar para melhorar as condições de trabalho, negociar auxílios, proteger direitos, estabelecer critérios de jornada, ampliar licenças e combater práticas prejudiciais aos trabalhadores.
Essas conquistas possuem valor econômico, mesmo quando não aparecem diretamente no salário-base.
Uma pesquisa do economista Lorenzo Lagos, divulgada em 2024 e atualizada em 2025, examinou justamente essa questão.
O estudo utilizou informações de instrumentos coletivos de trabalho no Brasil para avaliar os efeitos do fortalecimento do poder de negociação sindical.
Os resultados indicaram crescimento de salários e ampliação das condições negociadas coletivamente.
Um dos achados mais relevantes foi que aproximadamente 45% dos ganhos econômicos totais estimados estavam relacionados a benefícios e condições não salariais.
Em outras palavras, quase metade dos ganhos econômicos identificados pelo estudo não estava diretamente vinculada ao aumento do salário.
Considere um trabalhador que, após determinada negociação, passa a receber auxílio-alimentação, dispõe de melhores condições de jornada e obtém proteção adicional em situações de afastamento.
Mesmo que o reajuste salarial seja modesto, o conjunto dessas conquistas pode representar uma melhoria importante na remuneração indireta e na qualidade de vida.
No serviço público, essa reflexão é especialmente relevante.
A atuação sindical pode envolver a defesa de direitos relacionados a progressões funcionais, adicionais legalmente previstos, condições de trabalho, saúde ocupacional, licenças e critérios de evolução na carreira.
Valorizar o trabalhador não significa apenas aumentar seu vencimento. Também significa garantir condições adequadas para o exercício de suas atividades e proteger os direitos associados ao vínculo funcional.
Conheça o estudo de Lorenzo Lagos sobre negociação coletiva.
O enfraquecimento dos sindicatos pode provocar perdas salariais?
A reforma trabalhista de 2017 modificou profundamente o funcionamento das relações coletivas de trabalho no Brasil.
Entre as mudanças, a Lei nº 13.467/2017, por meio de seu artigo 1º, alterou os artigos 578 e 579 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452/1943, estabelecendo a necessidade de autorização prévia e expressa para a contribuição sindical.
A redução do financiamento sindical levantou questionamentos sobre a capacidade de negociação das entidades.
A pesquisa de Derenoncourt e seus coautores, publicada em 2025, examinou os efeitos da reforma sobre mercados de trabalho que anteriormente contavam com sindicatos de diferentes níveis de efetividade.
Os pesquisadores identificaram uma redução salarial relativa de aproximadamente 3,8% nos mercados em que os sindicatos apresentavam maiores ganhos salariais antes da reforma, em comparação aos mercados com sindicatos de menores ganhos.
A conclusão indica que a perda de capacidade sindical pode gerar consequências econômicas para os trabalhadores.
Entretanto, a reforma trabalhista alterou diversos aspectos das relações de trabalho. Por isso, não seria tecnicamente adequado atribuir todo o resultado exclusivamente à mudança na contribuição sindical.
O estudo reforça uma constatação importante. A capacidade de negociação coletiva pode influenciar os salários e sua deterioração pode prejudicar trabalhadores que anteriormente se beneficiavam de uma representação mais efetiva.
Em 2025, quase 78% das negociações salariais analisadas conseguiram ganhos acima da inflação
Os resultados das negociações coletivas também podem ser observados em levantamentos nacionais.
Em janeiro de 2026, o DIEESE divulgou uma análise preliminar de 21.510 reajustes salariais registrados no sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego, referentes ao ano de 2025.
Os resultados foram os seguintes.
| Resultado da negociação | Percentual |
| Reajuste acima da inflação | 77,7% |
| Reajuste igual à inflação | 14,1% |
| Reajuste abaixo da inflação | 8,2% |
O ganho real médio identificado foi de 0,87%, considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Isso significa que mais de três em cada quatro negociações analisadas conseguiram reajustes superiores à inflação.
A pesquisa considerou aproximadamente 80% dos resultados esperados para 2025, de modo que seus números tinham caráter preliminar.
Também é importante observar que o levantamento trata de instrumentos de negociação coletiva trabalhista, não podendo ser utilizado como retrato direto da remuneração dos servidores públicos estatutários.
Apesar dessas ressalvas, os números demonstram que a negociação coletiva permanece sendo um instrumento relevante para a melhoria das condições econômicas dos trabalhadores brasileiros.
Consulte o boletim De Olho nas Negociações nº 64 do DIEESE.
As greves ainda conseguem resultados concretos?
A greve é uma das manifestações mais conhecidas da atuação sindical. Também é uma das que mais provocam debates, especialmente quando envolve serviços públicos.
Mas os movimentos grevistas conseguem atingir seus objetivos?
O DIEESE publicou, em abril de 2026, o estudo Balanço das Greves de 2025.
O levantamento identificou 1.006 greves realizadas no Brasil durante o ano de 2025, distribuídas entre a iniciativa privada, o funcionalismo público e as empresas estatais.
Entre as 351 greves cujo resultado de encerramento pôde ser identificado, 256 tiveram atendimento integral ou parcial de suas reivindicações.
Isso corresponde a 72,9% dos movimentos com resultado conhecido.
Dessas mobilizações, 73 conseguiram atendimento integral e 183 obtiveram atendimento parcial das demandas.
O percentual é expressivo, mas exige interpretação cuidadosa.
Não significa que qualquer greve possua 72,9% de probabilidade de sucesso. O levantamento conseguiu identificar os resultados de apenas parte das paralisações registradas, e o atendimento parcial pode representar conquistas bastante diferentes conforme o caso.
Além disso, o resultado de uma greve pode decorrer de negociações anteriores, decisões dos gestores e outras circunstâncias.
Ainda assim, a pesquisa evidencia que a mobilização coletiva permanece relacionada à obtenção de resultados concretos.
Os servidores municipais tiveram papel de destaque
Entre as 395 greves do funcionalismo público registradas em 2025, 256 ocorreram na esfera municipal, o equivalente a 64,8%.
Os profissionais da educação pública participaram de 191 movimentos, representando aproximadamente 48% das greves do funcionalismo.
As reivindicações não se limitaram aos salários.
Houve demandas relacionadas à melhoria dos serviços públicos, às condições de trabalho e aos planos de cargos e salários.
Esse cenário demonstra como a organização coletiva integra os debates sobre a gestão do funcionalismo municipal.
Em muitos municípios, as reivindicações sindicais envolvem questões diretamente ligadas à estrutura administrativa, ao orçamento e à valorização das carreiras públicas.
Leia o Balanço das Greves de 2025 publicado pelo DIEESE.
No serviço público, qual é a importância da atuação sindical?
A experiência do funcionalismo público apresenta particularidades que não podem ser ignoradas.
Diferentemente da iniciativa privada, em que acordos e convenções coletivas podem estabelecer condições de trabalho nos termos do artigo 611 da CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452/1943, a remuneração dos servidores estatutários está submetida a regras constitucionais próprias.
O artigo 37, inciso VI, da Constituição Federal de 1988 assegura aos servidores públicos civis o direito à livre associação sindical.
Por sua vez, o artigo 8º, inciso III, da Constituição atribui aos sindicatos a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria.
Entretanto, o artigo 37, inciso X, estabelece que a remuneração dos servidores públicos e os subsídios somente podem ser fixados ou alterados por lei específica, observadas as competências constitucionais pertinentes.
Isso significa que um sindicato pode negociar e defender uma proposta de reajuste salarial, mas a negociação, isoladamente, não substitui a lei necessária para alterar a remuneração do servidor estatutário.
Imagine uma categoria de servidores municipais que reivindique a atualização de seu Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração.
O sindicato pode reunir informações sobre a defasagem salarial, elaborar propostas, mobilizar os trabalhadores, participar de reuniões com a Prefeitura e buscar interlocução institucional durante o processo legislativo.
Todavia, a alteração do plano depende das exigências jurídicas e orçamentárias aplicáveis, incluindo a iniciativa legislativa constitucionalmente adequada.
Portanto, a atuação sindical no serviço público não pode ser avaliada exclusivamente pela quantidade de acordos coletivos celebrados.
Ela também se manifesta na capacidade de influenciar decisões administrativas e legislativas, defender direitos funcionais e fiscalizar o cumprimento da legislação.
Ter dinheiro no orçamento significa que o servidor terá aumento?
Essa é uma questão fundamental para compreender a relação entre sindicatos e valorização do funcionalismo.
Uma pesquisa publicada em 2018 pela economista Tássia Cruz, na revista Economics of Education Review, examinou como municípios brasileiros reagiram à redistribuição de recursos educacionais promovida pelo antigo FUNDEF.
A autora identificou diferenças na forma como os municípios utilizaram os recursos disponíveis.
Municípios beneficiados pela redistribuição apresentaram aumentos salariais relativamente maiores para professores. Em outros contextos, os ajustes ocorreram principalmente por meio da contratação de profissionais, sem o mesmo resultado remuneratório.
O estudo também utilizou modelos de interação entre governos e sindicatos para interpretar as decisões de remuneração e contratação.
A pesquisa sugere que o poder de negociação pode ajudar a explicar como os recursos são distribuídos, embora não isole um percentual geral de aumento salarial causado pelos sindicatos.
A principal lição é simples.
A existência de recursos públicos não assegura, automaticamente, que eles serão destinados à melhoria da remuneração dos servidores.
A distribuição do orçamento também envolve escolhas administrativas, prioridades governamentais, obrigações legais e negociações institucionais.
Por isso, uma atuação sindical qualificada deve conhecer não apenas a legislação funcional, mas também as informações orçamentárias e financeiras do ente público.
Conheça o estudo de Tássia Cruz publicado em 2018.
Ter um sindicato é suficiente para garantir a valorização dos servidores?
Outra pesquisa brasileira ajuda a responder essa pergunta.
Em 2019, a professora Andréa Barbosa Gouveia, da Universidade Federal do Paraná, publicou um estudo sobre a representação sindical dos professores das redes municipais de ensino do Paraná.
A pesquisa examinou os 399 municípios paranaenses, identificando diferentes modelos de organização sindical e analisando dados sobre a remuneração docente.
Foram observadas diversas formas de representação, incluindo sindicatos específicos de professores, sindicatos gerais de servidores municipais e entidades de abrangência intermunicipal.
Apesar de documentar diferenças organizacionais e crescimento remuneratório durante o período analisado, o estudo não encontrou evidências suficientes para demonstrar que determinado modelo de organização sindical produz, necessariamente, salários superiores.
O resultado revela uma questão importante.
Não é possível avaliar a efetividade de uma entidade apenas por seu nome, tamanho ou modelo de organização.
Um sindicato de abrangência municipal pode desenvolver uma atuação consistente. Da mesma forma, uma entidade maior pode apresentar capacidade de articulação institucional relevante.
O aspecto decisivo é compreender como a representação se organiza e quais resultados consegue efetivamente produzir, considerando as condições jurídicas, econômicas e políticas de sua categoria.
Leia a pesquisa de Andréa Barbosa Gouveia publicada em 2019.
Como avaliar se um sindicato está desempenhando bem seu papel?
Os estudos apresentados permitem construir uma reflexão sobre a avaliação da atividade sindical.
Um dos principais indicadores é a capacidade de transformar as reivindicações da categoria em propostas concretas e juridicamente viáveis.
No serviço público, isso exige uma atuação que ultrapasse reuniões e manifestações.
A defesa de um plano de carreira, por exemplo, demanda conhecimento da legislação local, análise remuneratória, levantamento de impactos financeiros e acompanhamento do processo legislativo.
Da mesma forma, a proteção de direitos funcionais pode exigir providências administrativas, atuação judicial coletiva e diálogo permanente com os órgãos responsáveis pela gestão de pessoal.
Também são relevantes a transparência perante os filiados, a prestação de contas, a participação democrática nas decisões e a comunicação dos resultados alcançados.
É necessário distinguir, ainda, resultados que decorreram diretamente de iniciativas sindicais daqueles produzidos por políticas públicas gerais, determinações legais ou decisões administrativas independentes.
A avaliação adequada não deve considerar apenas os ganhos obtidos, mas também a capacidade da entidade de evitar retrocessos e enfrentar violações de direitos.
Em determinadas situações, impedir a supressão de uma vantagem funcional pode representar uma conquista tão relevante quanto obter um novo benefício.
Quem não é filiado ao sindicato também pode se beneficiar das conquistas?
Sim. A atuação sindical brasileira não se limita necessariamente aos trabalhadores formalmente associados.
Na iniciativa privada, os instrumentos coletivos podem beneficiar empregados abrangidos pela categoria e pelas condições de aplicação do acordo ou convenção, mesmo quando não são filiados.
Esse regime decorre, entre outros fundamentos, dos artigos 8º, inciso III e inciso VI, da Constituição Federal de 1988, e 611 da CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452/1943.
No funcionalismo público estatutário, uma alteração legislativa que concede reajuste geral a determinada carreira normalmente alcança os servidores abrangidos pela lei, sem estabelecer distinção baseada na filiação sindical.
A mesma lógica pode ser observada em diversas conquistas relacionadas à organização das carreiras e aos direitos funcionais.
Isso explica por que a importância da atividade sindical não pode ser medida somente pela remuneração de seus associados.
Muitas conquistas possuem natureza coletiva e alcançam toda a categoria representada.
Também ajuda a compreender um dos desafios enfrentados pelas entidades sindicais. Os resultados coletivos podem beneficiar trabalhadores que não participam diretamente da organização ou de seu financiamento.
O que as pesquisas ensinam sobre o futuro da representação sindical?
O conjunto das evidências examinadas demonstra que o sindicalismo não deve ser avaliado apenas por posições ideológicas favoráveis ou contrárias à existência dos sindicatos.
A questão central é institucional e prática.
Os sindicatos podem produzir ganhos salariais, melhorar benefícios e proteger condições de trabalho. Pesquisas econômicas identificaram resultados mensuráveis associados à representação coletiva.
Entretanto, esses resultados não são uniformes. Existem diferenças relevantes entre as entidades, seus métodos de atuação e as condições enfrentadas pelas categorias.
No serviço público, o desafio é ainda mais complexo.
As reivindicações encontram limites constitucionais, legais e orçamentários, exigindo que a atuação sindical combine capacidade de mobilização com conhecimento técnico.
A negociação de uma política remuneratória, a defesa de um plano de carreira e a proteção de direitos funcionais exigem organização, acesso a informações, estratégia institucional e adequada assessoria jurídica.
A representação sindical ganha relevância quando consegue transformar as necessidades dos trabalhadores em reivindicações fundamentadas, iniciativas concretas e resultados verificáveis.
Para servidores públicos e suas entidades representativas, essa conclusão é especialmente importante.
A valorização do funcionalismo não decorre exclusivamente da disponibilidade de recursos, da disposição dos gestores ou da existência formal de um sindicato. Ela resulta da interação entre normas jurídicas, decisões administrativas, orçamento público e capacidade de organização coletiva.
O fortalecimento da representação sindical, portanto, deve estar associado ao fortalecimento de sua capacidade técnica, jurídica e institucional.
É nesse cenário que a atuação estratégica em Direito Público pode contribuir para a proteção dos servidores, a efetividade dos direitos funcionais e a construção de políticas de valorização sustentáveis.
Referências e pesquisas utilizadas
Derenoncourt, Ellora; Gerard, François; Lagos, Lorenzo; Montialoux, Claire. What Do (Thousands of) Unions Do? Union-Specific Pay Premia and Inequality. NBER Working Paper nº 34139, 2025. Acessar pesquisa.
Campos, André Gambier; Moura, Ana Carolina. Diferenças de remuneração entre trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados. Ipea, Texto para Discussão nº 2323, 2017. Acessar pesquisa.
Lagos, Lorenzo. Union Bargaining Power and the Amenity-Wage Tradeoff. IZA Discussion Paper nº 17034, 2024, e NBER Working Paper nº 34186, 2025. Acessar pesquisa.
DIEESE. De Olho nas Negociações, nº 64, janeiro de 2026. Acessar boletim.
DIEESE. Balanço das Greves de 2025. Estudo e Pesquisa nº 113, abril de 2026. Acessar estudo.
DIEESE. Caderno de Negociação, nº 97, 2026. Acessar página do documento. As informações sobre diferenciais brutos de renda foram consideradas a partir de divulgações institucionais do levantamento, uma vez que seu conteúdo integral possui acesso restrito.
Cruz, Tássia. Teacher Hiring Decisions: How Do Governments React to an Exogenous Redistribution of Education Funds? Economics of Education Review, v. 67, 2018. Acessar estudo.
Gouveia, Andréa Barbosa. A organização sindical de professores das redes municipais de ensino do Paraná. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, v. 27, nº 92, 2019. Acessar artigo.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Artigos 8º, incisos III e VI, e 37, incisos VI e X. Consultar texto constitucional.
Lei nº 13.467/2017. Artigo 1º, que promoveu alterações na CLT, inclusive nos artigos 578 e 579, relativos à contribuição sindical. Consultar legislação.